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SAQUAREMA GUARDA TESOURO DE QUATRO MIL ANOS

Sítios arqueológicos escondem, em meio a conchas, vestígios de antigos grupos. Luta para manter sambaquis esbarra no abandono

Depois que o pescador Manoel Venceslau, o Juca, encontrou em 1975, ossadas humanas no meio de conchas do mar, na mata primitiva da Beirada, vilarejo de Saquarema, habitantes do lugar passaram a chamar o lugar de Cemitério dos Índios - como ainda é conhecido. Mal sabem, no entanto, que de índio não se achou mais do que cerâmicas. E que o cemitério, na verdade, é um dos mais importantes sítios arqueológicos do país.

Pesquisas dos Departamentos de Arqueologia e Antropologia do Museu Nacional, da UFRJ, revelam que os 38 esqueletos encontrados ali são de seres pré-históricos que viveram há pelo menos 4.520 anos. Ou seja, eles coletavam frutos e moluscos, caçavam e praticavam rituais que indicavam a crença em divindades e na vida após a morte, quatro mil anos antes do Descobrimento.

O Sambaqui da Beirada é o primeiro instalado ao ar livre e aberto ao público no país. Fica a duas horas de carro do Rio e a menos de 15 minutos do Centro de Saquarema, no Distrito de Barra Nova. Indo pela Rua da Praia em direção à Jaconé, basta dobrar à direita na rua de barro, em frente ao Quiosque do Manteiga. A Praça do Sambaqui fica no fim da rua. A visitação é gratuita e pode ser feita de quarta a sexta-feira, das 13h às 16h; e aos sábados e domingos, das 9h às 16h.

Corpos cremados ha dois mil anos

Muito interessante também é o Sambaqui da Pontinha, dois quarteirões adiante, na direção da Lagoa. Ali, a equipe da professora Lina Kneip, pioneira das escavações em Saquarema desde 1967, encontrou um ritual de sepultamento único entre todos os sambaquis estudados no Brasil.

O bando - como a antropologia define grupos de hábitos e culturas homogêneas - cremava mortos e enterrava as cinzas em fossas de 50cm de diâmetro por 50cm de profundidade. Testes de carbono mostram que os rituais ocorreram há mais de 2.200 anos.

Outra peculiaridade do Sambaqui da Pontinha é a grande quantidade de lascas de quartzo-de-veio, pedra dificílima de se talhar. " O artesão tinha que ser extremamente habilidoso. Peças com esse nível de tecnologia, usadas na caça, na pesca e como ferramentas, só são comparáveis às encontradas no Sul" - Afirma a antropóloga Filomena Crancio, responsável pelas pesquisas em Saquarema desde a morte da professora Kneip, em 2000.

Filomena dá prosseguimento à luta de sua antecessora, que tentava a desapropriação dos lotes 178, 211 e 212 entre as ruas C e L para que as terras sejam cercadas e nelas instalado marco arqueológico. A prefeitura de Saquarema tombou a área através do Decreto 43/93, mas o projeto de desapropriação fossilizou: a área foi invadida, desmatada, queimada e transformada em lixão.

Agencia dos Correios destroi Sambaqui

Sambaquis são pequenas colinas que reúnem toda sorte de evidências de seres que existiram no passado, desde esqueletos humanos, ossos de animais, pedras trabalhadas e outros vestígios. Como são localizados próximos ao litoral, geralmente são cobertos de conchas. Esses monturos foram batizados pelos índios, os primeiros a achá-los: Tambá significava concha e Ki, depósito. Em pouco tempo, a palavra Tambaki ( depósito de conchas) foi aportuguesada para sambaqui.

O primeiro a divulgar os sambaquis de Saquarema foi o arqueólogo Simons da Silva, em 1932. Os estudos científicos só começaram em 1967 com a professora Kneip, sucedida por Filomena Crancio. Kneip levantou a existência de 24 sítios arqueológicos. Mas o crescimento da região provocou o desaparecimento de 20 deles. Uma agência dos Correios, por exemplo, foi instalada na área que a professora escavara há anos, no sambaqui de Saquarema - região pavimentada que hoje também abriga a praça da feirinha de artesanato. Outro exemplo de descaso foi a construção da Escola Municipal Castelo Branco no lugar do sítio do Boqueirão.

Flecha perdida pode ter matado Jovem

Nem só de perdas vive a arqueologia. Na escavação de uma cisterna, na propriedade da família Bravo, os operários encontraram uma tigela Tupinambá, hoje integrada ao acervo do Museu Nacional. Um achado bastante curioso aconteceu no Sambaqui da Beirada, onde a Professora Filomena Crancio encontrou uma ponta de flecha, produzida com o esporão de uma arraia, nas costas de uma jovem enterrada a mais de 4.000 mil anos. Ela mesma deduz: " ou foi atingida involuntariamente durante uma expedição de caça ou no ataque de um grupo invasor." Ela esclarece que eram comuns os confrontos entre grupos vizinhos em disputa pelos melhores lugares para moradia, coleta, pesca e caça.

Outro achado inusitado foi uma bala de espingarda no sítio arqueológico de Manitiba, o terceiro sambaqui remanescente ( o quarto é o do Jaconé, ainda inexplorado). Segundo a arqueóloga, a bala estava numa camada de terra, entre ossos e outras evidências datadas de mais de três milênios. Ela soube que é comum a caça naquele local. " alguem deu um tiro para baixo e a bala conseguiu penetrar até onde estavam as ossadas" , conta, descaratando qualquer possibilidade de "queima de arquivo".

Filomena destaca que a Prefeitura de Saquarema, através da secretaria de Educação e Cultura, tem sido grande parceira dos arqueólogos e antropólogos do Museu Nacional, lá sediados. O estudo dos sambaquis, atualmente, faz parte do currículo de professores e alunos da rede municipal, para que a população local se conscientize da importância e da preservação desse patrimônio nacional.

7 comentários:

  1. Achei muito interessante a sua pesquisa! eu mesma moro aqui e não sabia da esxistencia do outro sambaki!

    Parabéns!

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  2. Espetacular !!!

    Finalmente consigo ler sobre um assunto tão precioso para a Historia de Saquarema !

    Lembro-me bem , das historias sobre indios localizadas em varias partes do nosso lindo Rio de Janeiro , para nem falar do nosso inteiro Brasil...

    Espero que o Prefeito e os deputados locais se elucidem mais,e mais, com as historias dos primeiros nativos de Saquarema , e preservem as areas com unhas e dentes!
    CUIDADO com os predadores !!!
    Para mim e muitos, e fantastico !!!
    Zizi

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  3. Tais areas e um assunto FANTASTICO !!!

    Zizi

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  4. Tive oportunidade de participar de um tour ecológico com a empresa Bluebirdbr turismo sustentável
    Estabelecida em nossa cidade,
    Tem o acompanhamento de biólogos
    E guias credenciamento de alto, gabarito, uma prestação de serviços digna de primeiro mundo

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  5. A todos turistas e moradores
    Essa empresa bluebirdbr turismo sustentável, recomendo um passeio
    Em praia secreta em Jaconé,
    Levem máquinas de fotos, inesquecível o lugar onde fomos conhecer

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  6. A todos turistas e moradores
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